terça-feira, 28 de junho de 2011

Fotos Tristes


Hoje perguntaram por que pareço triste nas fotos  
Corri olhar todas, porque a pessoa nem me conhece pessoalmente
Será que encontraria alguma para desfazer  o engano?
E achei  todas igualmente tristes.

A tristeza está na alma
Reflete nos olhos, no semblante, no sorriso
Embora não queira demonstrar
Ela está lá, sempre esteve, não vai sair

Talvez já tenha nascido com ela
E era tanta que ocultava até a alegria
Que ficava bem escondida
Nem se mostrava
Também nem tinha porquê.

E esta tristeza que carrego comigo
Hoje definiria como consequências
Pedaços e lembranças do que vivi
E o que sou e o que vejo
Cada vez mais me fazem sentir
Que o lado escuro é mais forte
E  a luz, ainda não conseguiu
Tomar conta da minha alma.








sábado, 25 de junho de 2011

Caio Fernando Abreu



“Tinha esquecido o perigo que é colocar o seu coração nas mãos do outro e dizer: toma, faz o que quiser.”
“Tão estranho carregar uma vida inteira no corpo, e ninguém suspeitar dos traumas, das quedas, dos medos, dos choros.”
“Repito sempre: sossega, sossega – o amor não é para o teu bico.”
“Não se engane comigo, é na bagunça que eu me arrumo.”
“Sempre há alguma coisa que falta. Guarde isso sem dor. Embora, em segredo, doa.”
“E me dá uma saudade irracional de você.”
“Venha quando quiser, ligue, chame, escreva – tem espaço na casa e no coração, só não se perca de mim.”
Quando você não tem amor, você ainda tem as estradas.”




“…e essa falta cresce à cada dia, de forma avassaladora…quando enfim penso que estou me acostumando, que estou te esquecendo,
você ressurge de forma inesperada ocupando todos os espaços, transbordando de

dentro de mim... e é nessa inconstante loucura que vivo sem te ter.”


Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada “impulso vital”. Pois esse impulso é, às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como ‘estou contente outra vez’
…” 

“Tenho tentado aprender a ser humilde. A engolir os nãos que a vida me enfia goela abaixo. A lamber o chão dos palácios. A me sentir desprezado-como-um-cão e tudo bem, acordar, escovar os dentes, tomar um café e continuar.”

“Sempre há alguma coisa que falta. Guarde isso sem dor. Embora, em segredo,doa.”

“Tem olhos hipnóticos, quase diabólicos. E a gente sente que ela não espera mais nada de nada nem de ninguém, que está absolutamente sozinha e numa altura tal que ninguém jamais conseguirá alcançá-la.”

“Amigos não ’são para essas coisas’, não. Isso é um clichê detestável, significando quase sempre que amigo é saco de pancadas, é uma espécie de privada onde o outro pode jogar objetos, detritos imundos e dar descarga. Amigos são para dividir o bem e o mal, mas também para deixarem as coisas sempre limpas entre eles – amigos devem ser solidários. Um dos meus maiores amigos, [...], que vive em Paris há quase 30 anos e é soropositivo há 9 (mas graças a Deus saudabilíssimo), tem sempre a preocupação de ser útil aos amigos. Quase não fala, não envia flores, não escreve cartas – mas quando procurado está sempre ali, firme e cheio de informações práticas para ajudar a gente. Amigos são também para escrever cartas enormes e um tanto idiotas como esta, cheia de carências, porque gostam de outros amigos e não querem que as relações de amizade tombem nesse poço nojento de brutalidade e vulgaridade que viraram os anos 90″

"... Não compreendo como querer o outro possa tornar-se mais forte do que querer a si próprio. Não compreendo como querer o outro possa pintar como saída de nossa solidão fatal. Mentira: compreendo, sim. Mesmo consciente de que nasci sozinho do útero de minha mãe, berrando de pavor para o mundo insano, e que embarcarei sozinho num caixão rumo a sei lá o quê, além do pó. O que ou quem cruzo esses dois portos gelados da solidão é vera viagem: véu de maya, ilusão, passatempo. E exigimos o eterno do perecível, loucos".

"Não, você não sabe, você não sabe como tentei me interessar pelo desinteressantíssimo"


"Tenho a impressão que a vida, as coisas foram me levando. Levando em frente, levando embora, levando aos trancos, de qualquer jeito. Sem se importarem se eu não queria mais ir. Agora olho em volta e não tenho certeza se gostaria mesmo de estar aqui."


"Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente?
Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido."


"Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina."


"Não choro mais. Na verdade, nem sequer entendo porque digo mais, se não estou certo se alguma vez chorei. Acho que sim, um dia. Quando havia dor. Agora só resta uma coisa seca. Dentro, fora."

"Não sei, deixo rolar. Vou olhar os caminhos, o que tiver mais coração, eu sigo."


"As minhas verdades me bastam, mesmo sendo mentiras."

"Penso: quando você não tem amor, você ainda tem as estradas."

"Não espero nenhum olhar, não espero nenhum gesto, não espero nenhuma cantiga de ninar. Por isso estou vivo. Pela minha absoluta desesperança, meu coração bate ainda mais forte. Quando não se tem mais nada a perder, só se tem a ganhar.
Quando se pára de pedir, a gente está pronto para começar a receber. O futuro é um abismo escuro, mas pouco importa onde terminará a minha queda. De qualquer forma, um dia seremos poeira. Quem é você? Quem sou eu? Sei apenas que navegamos no mesmo barco furado, e nosso porto é desconhecido. Você tem seus jeitos de tentar. Eu tenho os meus. Não acredito nos seus, talvez também não acredite nos meus próprios. Não lhe peço que acredite em mim".

"É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado."

"...por que, então, cultivar roseiras se, quando tudo está crescido, é nelas que você se corta?"

gosto de pessoas doces, gosto de situações claras - e por tudo isso ando cada vez mais só."

'eu não sabia, eu morria, eu nascia sucessivamente, em desespero, eu compreendia súbito. Não, não era amor. Era terror.'

"Seja como for, continuo gostando muito de você - da mesma forma -, você está quase sempre perto de mim, quase sempre presente em memórias, lembranças, estórias que conto às vezes, saudade..."

"Não é verdade que as pessoas se repitam. O que se repetem são as situações"

" Somos inocentes em pensar, que sentimentos são coisas passíveis de serem controladas. Eles simplesmente vêm e vão, não batem na porta, não pedem licença. Invadem, machucam, alegram (...) " 

Caio Fernando Abreu - uma biografia



Caio Fernando
 Loureiro de Abreu nasceu no dia 12 de setembro de 1948, em Santiago (RS). Jovem ainda mudou-se para Porto Alegre onde publicou seus primeiros contos. Cursou Letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, depois Artes Dramáticas, mas abandonou ambos para dedicar-se ao trabalho jornalístico no Centro e Sul do país, em revistas como Pop, Nova, Veja e Manchete, foi editor de Leia Livros e colaborou nos jornais Correio do Povo, Zero Hora, O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo. No ano de 1968 — em plena ditadura militar — foi perseguido pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), tendo se refugiado no sítio da escritora e amiga Hilda Hilst, na periferia de Campinas (SP). Considerado um dos principais contistas do Brasil, sua ficção se desenvolveu acima dos convencionalismos de qualquer ordem, evidenciando uma temática própria, juntamente com uma linguagem fora dos padrões normais. Em 1973, querendo deixar tudo para trás, viajou para a Europa. Primeiro andou pela Espanha, transferiu-se para Estocolmo, depois Amsterdã, Londres — onde escreveu Ovelhas Negras — e Paris.Retornou a Porto Alegre em fins de 1974, sem parecer caber mais na rotina do Brasil dos militares: tinha os cabelos pintados de vermelho, usava brincos imensos nas duas orelhas e se vestia com batas de veludo cobertas de pequenos espelhos. Assim andava calmamente pela Rua da Praia, centro nervoso da capital gaúcha. Em 1983 transferiu-se para o Rio de Janeiro e em 1985 passou a residir novamente em São Paulo.

Volta à França em 1994, a convite da Casa dos Escritores Estrangeiros. Lá escreveu
 Bien Loin de Marienbad. Ao saber-se portador do vírus da AIDS, em setembro de 1994, Caio Fernando Abreu retorna a Porto Alegre, onde volta a viver com seus pais. Põe-se a cuidar de roseiras, encontrando um sentido mais delicado para a vida. Foi internado no Hospital Menino Deus, onde faleceu no dia 25 de fevereiro de 1996.
Bibliografia:
- Inventário do Irremediável, contos. Prêmio Fernando Chinaglia da UBE (União Brasileira de Escritores); Rio Grande do Sul: Movimento, 1970; 2ª ed. Sulina, 1995 (com o título alterado para Inventário do Ir-remediável).

- Limite Branco, romance. Rio de Janeiro: Expressão e Cultura, 1971; 2ª ed. Salamandra, 1984; São Paulo: 3ª ed., Siciliano, 1992.

- O Ovo Apunhalado, contos. Rio Grande do Sul: Globo, 1975; Rio de Janeiro: 2ª edição, Salamandra, 1984; São Paulo: 3ª edição, Siciliano, 1992.

- Pedras de Calcutá, contos. São Paulo: Alfa-Omega, 1977; 2 ed., Cia. das Letras, 1995.

- Morangos Mofados, contos. São Paulo: Brasiliense, 1982; 9 ed. Cia. das Letras, 1995. Reeditado pela Agir - Rio, 2005.

- Triângulo das Águas, novelas. Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro para melhor livro de contos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1983; São Paulo: 2 edição Siciliano, 1993.

- As Frangas, novela infanto-juvenil. Medalha Altamente Recomendável Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil. Rio de Janeiro: Globo, 1988.

- Os Dragões não Conhecem o Paraíso, contos. Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro para melhor livro de contos. São Paulo: Cia. das Letras, 1988.

- A Maldição do Vale Negro, peça teatral. Prêmio Molière de Air France para dramaturgia nacional. Rio Grande do Sul: IEL/RS (Instituto Estadual do Livro), 1988.

- Onde Andará Dulce Veiga?, romance. Prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) para romance. São Paulo: Cia. das Letras, 1990.

- Bien Loin de Marienbad, novela. Paris, França Arcane 17, 1994.

- Ovelhas Negras, contos. Rio Grande do Sul: 2 ed. Sulina, 1995.

- Mel & Girassóis (Antologia)

- Estranhos Estrangeiros, contos. São Paulo: Cia. das Letras, 1996.

- Teatro Completo, 1997
Teatro:
- O Homem e a Mancha

- Zona Contaminada
Tradução:
- A Arte da Guerra, de Sun Tzu, 1995 (com Miriam Paglia).


sexta-feira, 24 de junho de 2011

É preciso deixar o amor ir



É preciso deixar o amor ir, para onde o amor quiser ir. Não reprima o amor, não oprima o amor, não comprima o amor... Deixe-o ir... Deixe-o correr por seus campos de margaridas brancas, deixe-o ser levado pela branda brisa de uma manhã hibernal... Deixe-o ir.
Apenas abra seus braços, feche seus olhos e sinta-o atravessar seu corpo enquanto parte.
Deixe-o ir e, talvez, voltar seja apenas uma questão de tempo e não de espaço. Evite espalhar arames farpados ao redor de suas margaridas.
Lembre-se: seu amor poderá não voltar, mas, outro virá! Não vendo amarras,  grilhões, arames farpados que cercam jardins, outros virão! Outros sempre virão!

Carlos Kurare

Ah...o amor


Quando você ama alguém … você se abre para o sofrimento, essa é a triste verdade. Talvez vão machucar seu coração, talvez você vai machucar o coração de alguém e nunca será capaz de olhar para si da mesma maneira. Esses são os riscos. Esse é o fardo. Como asas, amar tem seu peso, nós sentimos esse peso nas costas, mas eles são um fardo que nos eleva. São o preço de  voar com as asas do amor.

Autor desconhecido

domingo, 19 de junho de 2011

Sonhando outra vida

Quando não estamos bem com nós mesmos 
Sonhamos outra vida
Sempre achamos que a outra vida será perfeita
Diferente desta que não está dando certo
Porque nos faz sofrer, e o ideal é ser feliz.

Procuramos em outro lugar
O que pode e deve estar dentro de nós
Mas é tão difícil encontrar...
Impossível viver assim
Sem saber se é possível  mudar.

Uma vontade de voltar o relógio 
E sempre fazer tudo diferente
Mas não dá mais, foi tempo perdido
Perdido porque não aceitamos errar.

E parece que andamos em círculos
Pois sempre os mesmos erros e enganos
Alguns acertos porém, mas só o suficiente
Para mostrar que nossa vida 
Não está sendo toda em vão.

E tememos a cada situação
A cada gesto, nosso comportamento
Pois queremos ter certeza
Que desta vez agiremos certo
E alcançarmos enfim  o objetivo
De uma vida sem hesitação.

E sonhar e viver e fazer poesia
Porque a vida é poema
Seja esta, ou outra 
Sempre há de dar inspiração.



sábado, 11 de junho de 2011

Nada mais

Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue;outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho...o de mais nada fazer.
                                                   (Clarice Lispector)

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Por amor...

Por amor às vezes esquecemos de nós
Sem retorno nenhum por isso
Esperamos demais de um sentimento
Que não pode ser devolvido
pela mesma medida em que foi dado.

 Por amor andamos em círculos, procurando encontrar
Um sentido, uma explicação, e na procura inútil
Simplesmente nos recolhemos e sofremos
Por tudo que achamos que não recebemos
Por amor nos reduzimos a isto
Sombras rastejantes a procura do que restou
Da dignidade de um ser
Que  apenas queria amar e ser  amado
Mas que viu neste sentimento
Uma fragilidade, uma linha fina
Entre amor e ressentimento
Entre o romance e a desilusão.



Por amor...desistimos de tentar entender
De tentar encontrar, para nunca mais sofrer
E mergulhamos em nós mesmos e lá ficamos
Este sentimento corrói, engana
É feito para pessoas que não se importam
Com consequências e desencantos.


E assim definiu-se o amor
Nunca termina como chega
Transforma-se
Pode unir ou separar para sempre
Ou simplesmente ficar
Esperando o momento certo
Para se apossar
Ou ir embora de uma vez.



domingo, 5 de junho de 2011

O tempo

O tempo é o expresso da pressa. Saiu de algum lugar no passado e nunca mais parou. Hoje, passa pela estação do presente e segue avante para a estação do futuro. Não envelhece, não se cansa, não se atrasa, não espera por ninguém. Atrás de si ficam as fases da vida, os anos e as marcas da história. Paz e guerra. Progresso e decadência. Infância e adolescência; puberdade e juventude; maturidade e decrepitude. O futuro chega e se faz presente. O presente envelhece e se torna passado. E o tempo prossegue, seguro com destino certo para outro futuro.
                                         (Desconheço a autoria)