segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

E lá se vai.......


Todo ano, mesma época, no quase trocar a folhinha do calendário vem o coro: mesmas boas intenções, mesmos objetivos, desejando tudo de bom para todo mundo. E o ciclo se repete. E cada vez mais os anos passam tão velozmente que logo teremos a impressão de ter ouvido o mesmo coro, no dia anterior. É tudo tão óbvio, seria mais coerente se todos ignorassem a data e fingissem que que fosse tudo muito natural. Mas as pessoas não vão perder a oportunidade de desfilar seus discursos prontos, copiados e colados.

A vida começa todo dia, quando você acorda. Neste dia é que é preciso tomar as decisões, fazer as suas boas intenções, desejar o bem.  Pode ser que você só tenha mais este dia de vida. Mas ano? Tantas coisas acontecem, para o bem ou não, e sua vida muda, mas não por causa do ano, mas sim por um único e solitário dia. Por isto ignoro todas as falações e levo minha vidinha normal, seja qual dia for.

Pois cada um deles vai ser especial, e com muitas responsabilidades e esperanças de que tudo vai dar certo, e que as pessoas sejam felizes, haja paz na terra e  harmonia  no universo. Hoje!

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Criança olhando o incerto. Decisões sérias, mudanças vindos, incertezas. Somente sonhos e desejos que são tão imprevisíveis.


Futuro sem definição de cores alegres ou tristes. Todo dia me sinto assim.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Atitudes primitivas

Está havendo no momento sérias discussões contra e a favor sobre um fato de um certo laboratório no interior paulista  que estavam fazendo uso de cães da raça Beagle em seus testes. Ativistas invadiram e resgataram os cães  e depois de muita polêmica o laboratório fechou e foi para outro lugar. Não compreendo como hoje com tanta tecnologia ainda se use um método tão primitivo para experiências.

Não por gostar tanto de animais. Não por ser contra o avanço da ciência em medicamentos. Mas por humanidade apenas. Não somos donos de nada nem de ninguém. Como raça que se acha mais evoluída que as outras, deveríamos cuidar melhor deste mundo para nossos semelhantes e para os outros seres que repartem o planeta conosco. 

Dirão que animais são necessários para nossa sobrevivência. Talvez, desde que não seja necessário torturá-los para isso. Porque pode-se aproveitar até dos seres humanos, como no caso dos transplantes. E como acho que a evolução da tecnologia avança tão rápido, substituindo tantas coisas, quem sabe um dia mais nada seja usado desde seres que não tem defesa e são covardemente eliminados por nossas mãos.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Choro eminente

Hoje quase chorei. Por nada. Era a tristeza que de repente resolveu me visitar. Procurei o motivo, motivos, não tinha. Estava tudo igual como sempre. A mesma rotina de sempre, mas a tristeza não. Ela veio de repente como se estivesse com urgência. Com saudades, resolveu me visitar. Me lembrei de um poema, porque não não havia a falta de companhia de nada , nem de ninguém. Muito menos desta tristeza, que por pouco não me fez chorar, apesar das flores, das cores e dia tão lindo.





«Ser feliz é ser aquele. E aquele não é feliz, porque pensa dentro dele.»




Se estou só, quero não estar,
Se não estou, quero estar só,
Enfim, quero sempre estar
Da maneira que não estou.


Ser feliz é ser aquele.
E aquele não é feliz,
Porque pensa dentro dele
E não dentro do que eu quis.


A gente faz o que quer
Daquilo que não é nada,
Mas falha se o não fizer,
Fica perdido na estrada.




Fernando Pessoa

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Amigo, obra-prima que conta o milagre que acontece toda vez que a vida arruma um modo para aproximar as almas irmãs. Buquê de risos desarmados, olhares que ouvem, abraços que dizem. Árvore frondosa e a sombra dela, onde podemos descansar um pouco, ouvir o canto bom de um passarinho e outro, sorrir para a folha que sabe dançar mesmo quando cai. Lugar de azul macio quando faz sol no coração da gente e quando as chuvas mais fortes alagam nossos olhos. Canção feita de acordes que acordam belezas que às vezes demoram à beça para cantar de novo. Uma ideia feliz do quanto o amor é pura arte.
Citações - Ana Jácomo

terça-feira, 22 de outubro de 2013

"Sua Amiga de Sempre"

A menininha que eu fui ficou mais solitária. Ela ficou sem sua melhor e especial amiga da sua infância que resolveu, após muitos anos se retirar da sua vida. A menininha que eu fui não entendeu bem porquê. Mas ela sabe que as pessoas são livres para tomar suas próprias decisões. Como ela mesma sempre fez. Mas esta decisão ela nunca tomaria. Porque amigos, ainda mais como elas eram, são para sempre. Ainda mais depois de tantos anos, tantas batalhas, tantos desencontros, reencontros, tantas saudades...A menininha, que mora ainda dentro de mim está sofrendo muito por isso. Não vai esquecer nunca, ela sabe...porque não se esquecem amigos que vivem dentro da gente,é como se fosse a gente mesmo e ela sente que perdeu um pedaço e não vai mais recuperar, porque apesar deste pedaço dela não mais existir, ele está doendo muito.
Uma vez li que é difícil recuperar um amigo perdido, e que às vezes é mais fácil recuperar um amor perdido. Mas amigo...uma vez perdido, tão difícil recuperar... Por isso a menininha que mora aqui dentro sabe que perdeu um dos bens mais preciosos que se pode ter na vida. Uma melhor amiga  de sempre, que agora não está mais aqui ao lado. Não está mais perto mesmo com tantas facilidades e tecnologias que propiciam a comunicação de hoje em dia. Que nem ao menos tentou se explicar. Calou-se e deixou a menininha que mora em mim olhando para um passado tão feliz em sua companhia, para um futuro de solidão e dor.Mas a menininha deseja que seja muito feliz com outras amizades  que ela escolheu para permanecerem ao seu lado. Porque devem ser mais dignas e adequadas para ela do que eu possa ter sido. E a menininha que eu fui só tem que pedir perdão por não ter correspondido aos anseios e desejos de que a sua amiga estava precisando no momento, imagino que tenha  sido por isso. E eu perdi minha amiga de sempre.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Por Que?

Falou
Prometeu
Acreditou
Silenciou
Partiu
Iludiu
Limitou
Sorriu
Chorou

Como Mafalda questiono tudo. Nunca vou entender porquê. Porque não existe explicação. Porque não existe aceitação. As coisas são o que são. E só nos resta um monte de perguntas. E um monte de dúvidas e um monte de palavras, promessas, crenças, silêncios, partidas, ilusão, limitação, risos e choro.

E isso é vida.




segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Feliz Aniversário!!!

Feliz Aniversário para você que entendeu
Que percebeu
Que tempo não passa
Que tempo adormece
Quando se entende
Que a vida é só isso.

Somos eterna criança
Vivendo em corpo que envelhece
Tentando se adaptar ao externo
Mas sentindo que lá no fundo
Somos sempre os mesmos
Os mesmos que nasceram um dia
Os mesmos que após viver muitos anos
Será sempre igual
Nunca mudou. Apenas se adaptou.
Para viver em um mundo.
Que te leva feito vento
Feito nuvem em mudança de estação.

domingo, 25 de agosto de 2013

Noite

A noite é linda, a noite é magia.

Mas não nasci para viver nela

Gosto do dia, da claridade, das coisas visíveis

A noite esconde, dissimula, entorpece

O dia mostra, corre, vibra

A noite me  coloca em defensiva

O dia me liberta.

A noite me deprime apesar do seu charme

Mas o dia  me põe segura

E eu não gosto dos  riscos do escuro

Do escuro que não vejo de dia

A noite escura dentro de mim .

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Tentativas

Ela achou que tinha achado a fórmula
Achou que estava ali, que simplesmente tinha que buscar
Enganou-se de novo.

O amor é  complicado
Para algumas pessoas quase nada, mas para ela...
No entanto, achou que podia superar
Todos os empecilhos e enganos que sempre apareceram
Só que de novo estavam lá, nunca foram embora
Fazem parte do seu ser, de ter que estar só


Agora ela aprendeu.
Vai ficar quieta, esperando
O tudo ou o nada
Mas algo que seja
O que sempre esperou
Senão, por que não ficar
Simplesmente como está
Feliz triste, mas em paz.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Invernos

Invernos são mágicos
Misteriosamente fascinantes
Refletem o escuro e o frio da alma
Incandescentes.

Importam lembranças e saudades
De tempos mais aconchegantes
Focando em suas carências
De envolvimentos.

Embora temporária
Parece intermitente
A estação das belezas discretas
E envolventes.

Do céu límpido ou branco
Das noites frias conscientes
Mas invernos duram pouco
Quase sempre.

domingo, 2 de junho de 2013

Palavras...

Palavras me escapam como numa mensagem a deriva
Preciso encontrar o fio dos meus pensamentos
Colocá-los numa ordem para que me entendam
Envio mensagens ocultas que ficam soltas
Ninguém leu, ninguém entendeu.

Faço um abstrato com letras
Só eu entendo minha mensagem
Só eu entendo meu grito.

Vou procurar ser mais clara
Embora seja impossível
Porque as palavras estão trancadas
Dentro de um livro que nunca foi escrito
E nunca será visto 
Porque só existe dentro de mim.

E por falar em amor....

E por falar em amor
É como falar em saudade
Amores idos são mais fascinantes
Do que amores ambicionados.


O amor passou por mim muito rápido
Voraz, levou muitas coisas que não devia
Muitas coisas que só queria para mim
E para ninguém mais.


E agora não quer mais voltar
Resolveu ficar para sempre
Nas lembranças de um passado
Que se recolheu e não mais se manifestado.



Ando pensando se quero ainda este coração inflamado
Que se joga como num vulcão
Mas espera retorno de brisas de paixão
Não entende: Amar é muito complicado.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Não tente fazer o que não consegue
Não tente enganar, não tente mentir
As coisas são o que são
Não dá para inventar em cima delas

Procure ser o que é
Sem mais invenções
Sem mais ilusões


Hoje quero que as coisas mudem
Mas dentro da sua normalidade
Sem muitos sonhos
Apenas o que tem de ser


Ando preocupada com as coisas da vida
Não deveria estar, mas estou
Quero que as coisas aconteçam
Mas nem tudo depende só de mim

Vou procurar então me adaptar
Ao que procuro e espero
Da vida, e das coisas que são

sábado, 13 de abril de 2013

Utopia

Seus livros eram seu alento
Porque neles viajava 
Sonhava
Vivia

Porque deles se alimentava
Sua alma faminta de saber
De amor
De calor

E procurava em suas páginas
Uma resposta
Uma explicação
para tantas dúvidas
Tantas inquietações

Embora não encontrara
Nunca abandonou seus livros
Porque em  suas páginas
A vida embora utópica
Em si se manifestava.

domingo, 31 de março de 2013

A tarde....

Desce a tarde, cai a noite e mais um dia se vai
De poucas razões, de poucas sensações
E o ciclo se repete
E mais outro dia e mais sentimentos sentidos
E gira a roda viva
A roda da vida
Continuo só..


Embora  exista o sonho
Embora exista a procura

E os dias se fazem iguais 
Para que nada aconteça
E nada mude

E a tristeza da tarde me ampara
E com ela me deito
Para acordar em nova roda
Que se repete
Sucessivamente...

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Minha vida se resume em tres fases:


Na primeira, meu mundo era do tamanho do universo e era habitado por deuses, verdades e absolutos.



Na segunda meu mundo ficou mais modesto e passou a ser habitado por heróis revolucionários que portavam armas e cantarolavam canções de transformar o mundo.












Na terceira mortos os deuses, os heróis, as verdades e os absolutos, meu mundo encolheu ainda mais e chegou, não a sua verdade final, mas a sua beleza final:

Ficou belo e efemero como uma jabuticaba florida.




(Rubem Alves)

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Besos

Hay besos que pronuncian por sí solos
la sentencia de amor condenatoria,
hay besos que se dan con la mirada
hay besos que se dan con la memoria.

Hay besos silenciosos, besos nobles
hay besos enigmáticos, sinceros
hay besos que se dan sólo las almas
hay besos por prohibidos, verdaderos.

Hay besos que calcinan y que hieren,
hay besos que arrebatan los sentidos,
hay besos misteriosos que han dejado
mil sueños errantes y perdidos.

Hay besos problemáticos que encierran
una clave que nadie ha descifrado,
hay besos que engendran la tragedia
cuantas rosas en broche han deshojado.

Hay besos perfumados, besos tibios
que palpitan en íntimos anhelos,
hay besos que en los labios dejan huellas
como un campo de sol entre dos hielos.

Hay besos que parecen azucenas
por sublimes, ingenuos y por puros,
hay besos traicioneros y cobardes,
hay besos maldecidos y perjuros.

Judas besa a Jesús y deja impresa
en su rostro de Dios, la felonía,
mientras la Magdalena con sus besos
fortifica piadosa su agonía.

Desde entonces en los besos palpita
el amor, la traición y los dolores,
en las bodas humanas se parecen
a la brisa que juega con las flores.

Hay besos que producen desvaríos
de amorosa pasión ardiente y loca,
tú los conoces bien son besos míos
inventados por mí, para tu boca.

Besos de llama que en rastro impreso
llevan los surcos de un amor vedado,
besos de tempestad, salvajes besos
que solo nuestros labios han probado.

¿Te acuerdas del primero...? Indefinible;
cubrió tu faz de cárdenos sonrojos
y en los espasmos de emoción terrible,
llenaron sé de lágrimas tus ojos.

¿Te acuerdas que una tarde en loco exceso
te vi celoso imaginando agravios,
te suspendí en mis brazos... vibró un beso,
y qué viste después...? Sangre en mis labios.

Yo te enseñe a besar: los besos fríos
son de impasible corazón de roca,
yo te enseñé a besar con besos míos
inventados por mí, para tu boca.


(Gabriela Mistral)
Eu sou Mefistófeles. Mefistófeles!
É, o diabo e todos vocês são Faustos. Faustos, os que vendem a alma ao diabo.
Tudo é vaidade nesse mundo vão, tudo é tristeza, tudo é pó é nada, quem acredita em sonhos é porque já tem a alma morta. O mal da vida cabe entre nossos braços e abraços mas eu não sou exatamente o que vocês pensam, eu não sou exatamente o que as igrejas pensam, as igrejas abobinam me.
Deus me criou para que eu o imitasse de noite. Ele é o sol eu sou a lua, a minha luz paira sobre tudo quanto é futil, margens de rio, pantanos, sombras.
Quantas vezes vocês viram passar uma figura velada, rápida?
Figura que te daria toda a felicidade, figura que te beijaria indeferidamente.
Era eu, sou eu. Eu sou aquele que sempre procuraste e nunca poderás achar.
Os problemas que atormentam os homens são os mesmos problemas que atormentam os deuses.
Quantas vezes Deus me disse citando João Cabral de Melo Neto: “Ai de mim, ai de mim.” Quem sou eu?
Quantas vezes Deus me disse: “Meu irmão, eu não sei quem eu sou”.
Senhores venham até mim, venham até mim, venham!. Eu os deixarei em rodopios fascinantes, uivos castéus e nas trevas, nas trevas vocês veram todo o explendor.
De que adianta vocês viverem em casa como vocês vivem, de que adianta pagar as contas no fim do mês, religiosamante, as contas de luz, gás, telefone, condomínio, IPTU.
Todos vocês são Faustos. Venham, eu os arrastarei por uma vida bem selvagem, através de uma rasa e vã mediocridade que é o que vocês merecem.
As suas bem humanas insasiabilidade teram lábios, manjares, bebidas… É difícil encontrar quem não queira vender a sua alma ao diabo.
As últimas palavras de Goethe, ao morrer, foram: “Luz… Luz, mais luz!”

[Goethe (1749-1832) em Livre Adaptação Abujamra, Tv Cultura; Provocações]


Casa arrumada é assim:

Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.

Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.

Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas...


Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida...

Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.

Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.

Sofá sem mancha?

Tapete sem fio puxado?

Mesa sem marca de copo?

Tá na cara que é casa sem festa.

E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.


Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.

Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,

passaporte e vela de aniversário, tudo junto...

Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.

A que está sempre pronta pros amigos, filhos...netos, pros vizinhos...


E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia. Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.


Arrume a sua casa todos os dias...

Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...

E reconhecer nela o seu lugar.


[Lena Gino, Casa arrumada]

domingo, 27 de janeiro de 2013

Porque eu não quero me esquecer de hoje.....

Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça.

A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta.

Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa.

A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013.

As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada.

Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa.

Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio.

Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda.

Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.

Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.

Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram.

Morri sufocado de tanta morte; como acordar de novo?

O prédio não aterrisou da manhã, como um avião desgovernado na pista.

A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.

Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.

Mais de duzentos e cinquenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.

Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal.

As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso.

Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.

As palavras perderam o sentido.


Fabrício Carpinejar

sábado, 26 de janeiro de 2013

Perspectivas

Nossas perspectivas sempre nos levam distante de onde estamos..
E cada vez mais, ou será porque...
Porque sempre queremos tudo para o momento,
e esquecemos que nada se faz tão rápido.
Tudo é construido, tudo é calculado, tudo é conectado...
Não somos uma ilha, todas nossas ações dependem de outras ações,
De outras pessoas....


Tudo se fez em seu momento, então não sabemos o nosso...
Para isso existe a calma, que muitas vezes inconscientes tentamos ignorar.
Esquecemos que não estamos sozinho, que dividimos este espaço com outros seres..
Que tem as mesmas expectativas, mesmos desejos...

E tudo roda, e tudo gira..
E quando achamos que acabou..
Que nosso sonho não aconteceu ..
Ele aparece em novas roupagens diferente do que imaginamos,
Mas temos que aceitar mesmo assim...
Porque assim era para ser,
Assim era para estar...