quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Paul Mauriat - Day By Day

Filha da Terra

Sou filha da terra
Pertenço a este chão, não sei até quando
De onde vim, não meu corpo físico, mas o meu Eu , não sei
Sei que certos mistérios fazem parte da mágica de viver.

Procuro viver conforme minhas verdades
Verdades que incluem tentar não ferir ou magoar alguém
Respeitar todos os seres vivos que vivem no mesmo universo
Porque sei, possuem o mesmo direito que eu de estarem aqui.

Faço parte de uma  geração menos tecnológica
Com infância vivida a céu aberto
Subir em árvores, tomar chuva sentindo o pé na enxurrada
Brincar na rua sem nenhum temor.

Como filha da terra, sei que ela sofre agressões
E que não posso fazer nada além de protestar
Porque enquanto não houver total conscientização
Ela vai sofrer nas mãos de poderosos que não se preocupam com seu destino.

É uma pena que a  atual geração não vai ter o que tive
Árvores, cheiro de mato, ar puro e liberdade
Vivem hoje, presos, como se tivessem que pagar por um crime que não cometeram, porque foi esta a herança que as gerações mais antigas lhes deixaram.

A maioria dos seus conhecimentos vem da máquina, que é o que puderam lhes deixar.Uma vez que exterminaram quase todas as matas, todas as chances de descobrirem por si só, o que a natureza tão sabiamente nos ensina.

Sou filha da terra, gostaria de nunca esquecer e prestar atenção em cada chão que piso, cada inseto que vejo passando, seguindo sua vida.
Em todas as criaturas,inclusive as escravizadas ou usadas para qualquer divertimento cruel.
Porque os homens ainda não perceberam, elas são parte da natureza, agredi-las é como agredir ao planeta como um todo, porque estamos todos interligados.

Como filha da terra, vejo outros filhos da terra negarem sua origem, e acharem que estão acima de tudo, mas enganam-se e verão um dia o tanto que ela os acolheu e alimentou apesar de tanta injustiça e ingratidão.

Sou filha da terra, habitante deste planeta, num universo infinito, poeira .
Porém, consciente que posso fazer a diferença com minhas atitudes, porque sei, existirão mais filhos e filhas preocupados com este chão, com tudo que nele habita,e que gostaríamos de ver preservado, para que a nova geração não tenha que conviver futuramento apenas com aços e máquinas.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Vazio

Como se de repente
Eu perdesse meu chão
Vivo em extremos
Queria ser mais leve
Olhar a vida sem medo
Amar sem medo

Mas não consigo suportar a dor
Dor de outros e minhas
Tudo me  afeta
Todo o sofrimento
Como ser feliz então
Se ao lado alguém sofre
Como sorrir
Se ao lado alguém chora

Viver é arriscar
Arriscar acertar, errar
Sofrer, sorrir
Mas só esperamos
Que ela nos dê a parte boa
Senão, reclamamos
Por ser tão injusta.

Mas é injusta a vida?
A vida é somente a vida
Com todos as suas consequências
E inconsequências...

sábado, 20 de agosto de 2011

Névoa

Ela faz parte de mim
Cobre, me envolve
Porque assim eu quis

Não chegue muito perto
Fique no seu espaço
Este é meu, está marcado
Envolto em névoas
Que eu mesma criei

Fique, não precisa
Não quero mais ninguém
Ou alguém, já tenho o suficiente
Se é que isto possa existir
Mas simplesmente eu não quero mais.

Não consigo mais acompanhar
Todos os recantos e encantos
Desencantos e desencontros
De uma nova relação
Seja de amizade, ou de amor
Fico com que já tenho
Não preciso de mais nada
Para mim acabou.

Quero mergulhar e reviver
De tudo que já tenho
Procurar, buscar
Tentar de novo
Desfazer as névoas
E ver com clareza
O que ainda não sei.



sábado, 13 de agosto de 2011

Sol e Mar

Aparando as arestas do que ficou
Algo que poderia ter permanecido
Acabou - só uma lembrança.

Tormenta - uma tempestade no mar
Luz - sol em céu sem nuvens

Fosse um sonho
e a tempestade abalando 
em meu mar de emoções
Fazendo-me tremer, estremecer , diluir
E sol fazendo brilhar, ofuscar, irradiar.

Mas não posso deixar
Que minhas emoções se transformem em calmaria
Não posso permitir que minha luz se apague.

Preciso prosseguir
Buscar outros mares
Outro sol
Novamente estremecer
Novamente brilhar.

E unir, sol e mar.







terça-feira, 9 de agosto de 2011

Inferno Astral


Uma certa melancolia
Vem não sei de onde
E nem sei porquê

Sempre nesta mesma época
As emoções afloram
Vem a tona
As angústias
Os medos
As incertezas

Do que o futuro trará
Amanhã, ou depois
Não importa
A expectativa
Como se algo fosse acabar
Agora 
Ou depois

Quase todos se sentem assim
Até quem não acredita
Nos poderes dos astros
Fingem que não
Mas ficam também
Melancólicos
Angustiados 

Procuro não me preocupar
É só uma data
Depois tudo se acalma
Quando percebemos
Passou mais um ano
No nosso calendário

Sobrevivemos.