segunda-feira, 23 de julho de 2012



A dor não pede compreensão, pede respeito. Não abandonar a cadeira, ficar sentado na posição em que ela é mais aguda. 

Vejo homens que não têm coragem de terminar o relacionamento. Que não esclarecem que acabou. Que deixam que os outros entendam o que desejam entender. Que preferem fugir do barraco e do abraço esmurrado. Saem de mansinho, explicando que é melhor assim: não falar nada, não explicar, acontece com todo mundo. 

Encostam a porta de sua casa (não trancam) e partem para outra vida. 

Não é melhor assim. Não tem como abafar os ruídos do choro. O corpo não é um travesseiro. Seca com os soluços. 

Não é melhor assim. Haverá gritos, disputa, danos. É como beber um remédio, sem empurrar a colher para longe ou moldar cara feia. É engolir o gosto ruim da boca, agüentar o desgosto da falta do beijo. 

Será idiota recitar Vinicius de Moraes: "que seja infinito enquanto dure". A despedida não é lugar para poesia. 

Haverá uma estranha compaixão pelo passado, a língua recolhendo as lágrimas, o rosto pelo avesso. Haverá sua mulher batendo em seu peito, perguntando: "Por que fez isso comigo?" 

Haverá a indignação como última esperança. 

Haverá a hesitação entre consolar e brigar, entre devolver o corte e amparar. 

Vejo homens que somente encontram força para seduzir uma mulher, não para se distanciar dela. 

Para iniciar uma história, não têm medo, não têm receio de falar. 

Para encerrar, são evasivos, oblíquos, falsos. Mandam mensageiros. 

Não recolhem seus pertences na hora. Voltarão um novo dia para buscar suas coisas. 

Não toleram resolver o desespero e datar as lembranças. Guardam a risada histérica para o domingo longe dali. 

Mas estar ali é o que o homem precisa. Não virar as costas. Fechar uma história é manter a dignidade de um rosto levantado, ouvindo o que não se quer escutar. Espantado com o que se tornou para aquela mulher que amava. Porque aquilo que ela diz também é verdade. Mesmo que seja desonesto. 

Desgraçadamente, há mais desertores do que homens no mundo.(....)



Fabrício  Carpinejar

Simplesmente Ser...

Ela se esconde por trás de qualquer coisa,
Porque não quer se expor, só viver
Do seu jeito, só quer ser feliz.

Embora os outros não concordem, ela não se importa
Ninguém precisa estar rodeado de gente
Para Ser, simplesmente Ser.

Já resolvida, conhece quem lhe faz bem
Foge do que não conhece, ou não reconhece
Mas não porque já fechou-se em si mesma
Mas porque acha que tudo tem apenas,
Que acontecer.....

Entre nebulosas e céu claro,
Procura apenas se achar
No universo infinito
Seu Ser escondido
No pálido ponto azul.



segunda-feira, 9 de julho de 2012


QUEM SOU
(Carvalho Branco)

Sou, por dentro, 
a paz e o tufão...
sinto, que quando entro
em mim, sou amor e sou paixão...

Sou tufão no momento
de desespero, de desafio...
sou então
corrente caudalosa de um rio,
a seguir com o vento,
na busca da imensidão
do oceano,
sem ter, na verdade, um plano,
em busca da solução...
O mar me acalma,
sou água, sou alma...
Emoção!...

Sou paz,
arauto da união...
do amor, sou guardião
e mais:
sou a brisa que refresca,
sou o que se colhe ou pesca
para a alimentação...
Sou o pão!
Sou água para a sede
e o meu sangue, em rede,
oxigena a mente
da população...
Sou o que o outro sente,
sou razão!...

Se sou bela ou feia,
que me diga aquele
que me leia
a alma, a mente, o coração...
Busco seguir minha missão.
Que minha palavra
seja sempre a d’Ele,
instrumento que lavra
o terreno de cada aldeão...
Que sejam sempre meus versos
portas abertas aos universos,
planos todos da Criação...
Integração!

Sou a paixão que não passa,
sou o ideal e a brava raça,
sou o amor em toda dimensão!
Sou só faísca da Chama, sou fração...
Sou aquela que ao Ser abraça,
à Natureza enlaça,
elo de corrente em vibração!...
Ela ousou sonhar
Ela ousou tentar realizar seus sonhos
Ela ousou..

Uma vida tentando se esconder
Uma vida fechada em si mesma
Uma vida tentando ser apenas  
Mais uma garota gentil.


E por dentro uma montanha de sentimentos
E vontades e desejos reprimidos
E medos,muitos medos.


Um dia resolveu que não valia a pena
Pouco importava..
Não somos imortais....

terça-feira, 19 de junho de 2012

Limites

Quando percebo, estou lá
Meu limite é baixo...
Mas amedronta, me anseia

Tenho sensações que não gosto
Pertubações, receios, tristezas

Há quem adore desafiá-lo
E admiro quem o faz
O ser humano está aqui para isto
Porque é assim que o mundo avança.


Mas não tem jeito, sou tolerante com meus medos.
Não os desafio, jamais
Eles caem sozinhos, quando desistem de lutar...
Com a minha teimosia...
Com as minhas incertezas...

sábado, 26 de maio de 2012

Ilusão

Já acreditei em tantas coisas, tantas pessoas..
Até me esquecia que  tudo se transformava
As vezes,  sem esperar, me assustava..


Também mudamos e tudo a nossa volta
Vimos apenas o que necessitávamos naquele momento
E passamos nos iludindo e vendo o tempo todo,
Que a ilusão faz parte do processo de viver.

É com ela que aprendemos
As coisas e pessoas não são imutáveis como também não somos
Também as vezes surpreendemos
E assustamos.....

Interessante como aceitamos o destino 
Nem questionamos,  vivemos
O que nos foi dado, o que ganhamos....


O que há lá atrás onde nossa vida não alcança?
O que há por trás das neblinas e das colinas
E dos mistérios da vida....


Sentimos os perfumes das flores
Mas não sabemos como foi concebido...
E amamos as flores e imaginamos,
E se não existissem?


Nossos sentidos são capazes de mil sensações
Às vezes não o controlamos
E nos frustramos....

Qual será então nossa finalidade e nosso poder?




Qualquer dia amigo.....

 Eu tenho muitos amigos, mas um é especial.  Daqueles que não precisamos estar perto, Só saber que existe. Ele segue sua vida eu a minha. Se...